Sobre histórias - Eu, o papel e trabalhar em casa

by - julho 04, 2015

Inspirada no post da Débora, vim

Oi, eu sou a Julia (sem acento no u), com um pézinho na casa dos 30 (28 anos), mãe da Yasmin (4 anos) e da Carol (2 anos, que e só Carol, não é Carolina, Caroline, com K, com letra dobrada, é simplesmente Carol), esposa do Pablo, e desde sempre apaixonada por trabalhos manuais, e hoje vim aqui contar pra vocês como comecei a trabalhar em casa e como surgiu o amor pelo papel.

Meu relacionamento com o papel começou há muitos anos, me recordo que desde pequena (acredito que desde sempre) gosto de papel, blocos, cadernos, papeis diferentes ... época de comprar material escolar era o auge do meu ano, pq era onde eu tinha a oportunidade de ver os mais diversos tipos de cadernos, encadernações, texturas de papeis (pq afinal, nas listas sempre pediam cartolina, papel cartão, papel crepom, papel celofane ...) e eu achava aquilo tudo muito fantástico.

Paralelo à isso, cresci em um lar onde minha mãe fazia muitos trabalhos manuais (aliás, faz até hoje), tricô, crochê, ponto cruz, costura, pintura... minha mãe nunca ficou quieta, sempre inventava algum artesanato, mas sempre voltava para as linhas!

E eu cresci no meio disso, dela costurando muitas roupas exclusivas pra mim e pra minha irmã, tínhamos o privilégio de ir até a loja de tecidos e escolher o pano dos vestidos, dos pijamas, das saias plissadas, rodadas, ... me recordo que ela era assinante da revista Manequim, e o carinho com que deixava que escolhêssemos os modelos que ela faria, sugerindo sempre um aqui e outro acolá.
Mas sempre fazendo tapetes, colchas, toalhinhas pra enfeitar a cozinha, a sala, a vida ...

E eu tentei seguir os passos dela, tentei crochê e sério, foram mais e 10 anos pra entender como fazer um ponto alto, fazia infinitas correntinhas, mas nenhum ponto saía da minha agulha.

Tentei o ponto cruz, e esse era mais fácil, mas eu sempre gostei de motivos pequenos pra bordar, nada muito grande, ao contrário dela que fez quadros de cair o queixo.

Me recordo que ela fazia os trabalhos domésticos, e no final da tarde sentava no sofá com suas linhas e lá ficava enquanto conversava conosco, entre um ponto e outro um conselho, uma risada, um comentário sobre o que passava na televisão ...

Minha mãe é professora, mas deixou tudo de lado pra cuidar de mim e da Laís, esteve presente em TODOS nossos momentos importantes, em toda vida escolar ajudando as professoras, ajudando nos deveres e trabalhos, NUNCA estava cansada pra explicar, sempre pronta pra tirar nossas dúvidas e quando não sabia como ajudar, pesquisava até conseguir dizer alguma coisa (e isso há quase 20 anos atrás sem a ajuda do tio Google!).

E desde sempre eu quis ser uma mãe presente quando tivesse meus filhos, pq eu queria ser como minha mãe nesse e em muitos outros aspectos.

O problema todo é que eu adoro artesanato, mas não me dei com as linhas, não me dei com pintura, adoro desenhar, mas ganhar dinheiro desenhando, como? Quem compraria meus desenhos?

Deixei o handmade de lado, vez ou outra fazia alguma coisa pra mim no tear (cachecóis), pedrarias ... mas só, e era vez ou outra mesmo.

Aí me casei em 2008, e a decoração do meu casamento foi lilás, e quem disse que eu achava as forminhas de doces nas cores que eu queria, no tom de lilás que eu queria?

Não achava, de jeito nenhum, parecia que eu tinha idealizado uma cor inexistente, até que me lembrei de uma loja de papéis especiais aqui em São José, e corri lá, e no expositor tinha o tom exato de lilás que eu queria!

Comprei, cortei todas as forminhas na tesoura, vinquei, fiz o laço duplo, apliquei pedrinhas, ficou um luxo (e eu não tenho uma foto das forminhas pq perdi todas quando meu laptop queimou, inclusive as do casamento), e eu fiquei encantada com o que podia fazer com minhas próprias mãos.

Nesse entremeio eu já tinha uma boa vida acadêmica corrida.

Comecei pedagogia, mas não gostei.
Comecei Direito, fui até mais da metade do curso, me decepcionei com o judiciário brasileiro e desisti também, parti para a Enfermagem, e teoricamente tudo é lindo, mas as atribuições de um enfermeiro, a responsabilidade, e a carga horária não valem o salário que pagam. Ou seja, passei por três cursos e não me identifiquei com nenhum, pq? Pq nada daquilo servia pra mim?

Fiquei grávida e eu mesma decidi fazer as lembrancinhas de maternidade.
Fiz lindos saquinhos costurados com chocolate dentro, arrematado com fita de cetim, preparei a cesta que iria condicionar as lembrancinhas, preparei as tags ... ficaram lindas.

A Yasmin nasceu e se por um lado eu sentia uma vontade louca de sair para trabalhar, ter meu próprio dinheiro sem pedir nada para o marido, conversar com as pessoas, falar além de fraldas e produtos infantis, por outro eu me sentia extremamente culpada por saber que não iria acompanhar o crescimento da Yasmin, pq no mundo no trabalho formal, a carga horária é de 8/12 horas + o período de deslocamento até o local de trabalho, fui protelando a volta ao mercado, protelando, protelando, até que quando eu decidi voltar, no dia que saí pra entregar currículos nas agências de trabalho, fiz um teste de gravidez (um dia conto como foi a descoberta da gravidez da Carol), e pimba, positivo, seria mãe novamente, gravidíssima!

O desespero bateu, pq eu queria fazer alguma coisa com meu tempo, ter meu dinheiro, me sentir útil além de cuidar da casa e das crianças.

Matutei a gravidez inteira sobre o que poderia fazer, pq uma coisa era certa, eu precisava fazer alguma coisa senão ia enlouquecer, pois trabalhar pra pagar escola para as crianças e no final sobrar pouco dinheiro era uma possibilidade descartada, eu sempre tive em mente que eu iria cuidar da educação dos meus filhos e disso nunca abri e nem abriria mão, ou seja, eu tinha que arrumar alguma coisa que gostasse de fazer.

Num estalo eu lembrei do scrapbook, que era algo que eu realmente gostava e sabia que fazia bem, todo mundo sempre elogiava as coisas que eu fazia, sempre personalizei minhas coisas, as coisas da Yasmin e o que desse, adoro mexer em editor de imagens, entendo um pouco de PS, e pensei "é isso!"

Como pagava o INSS e tive direito a Licença Maternidade, pensei em pegar o dinheiro e investir em material para dar início as coisas.

Conversei com meu marido, minha mãe (que sempre me deu bons conselhos) e a conclusão foi que sim, devia investir, se desse certo as coisas iriam fluir normalmente, se não desse, paciência.

Comprei materiais, já tinha outros, fiz alguns modelos de produtos que eu podia trabalhar, lancei a página no Facebook, e as encomendas começaram a surgir.

Fiz uma loja no Elo7 e lá as encomendas aumentaram, e hoje tenho um volume considerável de encomendas e um retorno financeiro muito bom, mas sabe qual é a melhor parte disso além do dinheiro?

É fazer o que gosto. Quando subo para o ateliê e estou com meus papéis e minhas máquinas eu sou feliz, e sei que todo retorno que tenho depende apenas do meu esforço, do meu capricho, do meu cuidado com meus clientes.

Me sinto feliz quando um cliente dá aquele retorno positivo dizendo que ficou encantado com o recebeu, quando o cliente retorna, quando indica ... afinal, de nada adianta toda publicidade, todo investimento em máquinas e bons materiais se não há responsabilidade e zelo com seu cliente.

Desde o início eu coloquei na cabeça que quem trabalha com personalizados pra festas ou pra qualquer evento, seja ele grande ou pequeno, trabalha com sonhos, e com o sonho das pessoas não se brinca, simples assim, se a gente compreende isso, nã perde prazo, não perde nada e ganha cliente, pq não há melhor publicidade que o boca a boca.

E foi assim, desse jeito que a Amor de Papel surgiu, e você, como entrou no mundo do artesanato?

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